Conheça A Trilogia do Dentista

Bem, já deu para perceber que você gosta de coisas polêmicas. Não bastasse todo o rumor que causou com seu primeiro livro, temos agora este que, pelo que pude perceber, está muito mais incisivo e controverso do que o anterior. Eu diria até aterrorizante. O que exatamente o levou a escrever esse livro e por que não escreveu algo para estimular as pessoas a irem ao dentista, já que você é um dentista?
Inicialmente gostaria de enfatizar que respeito o bom humor de meus leitores e, sendo assim, considero válido tudo o que possa ser feito para estimulá-lo. Nesse mundo atribulado no qual vivemos, corremos o risco de, sem percebermos, nos deixarmos levar pela onda de pessimismo que arrasta a maioria das pessoas, que mais reclamam do que simplesmente vivem suas vidas. Se a vida não é lá tão bela, o que reconheço, nem por isso vamos deixar nosso senso de humor de lado e fazermos parte da grande massa de insatisfeitos e reclamantes que nos rodeia. Isso só vem a piorar as coisas. Embora a insatisfação por vezes bata à nossa porta, devemos saber lidar com ela, ou melhor, brincar com ela, que é como deve ser tratada. E para isso existe o senso de humor. Para aqueles que o têm, é esse mesmo senso de humor que vai dizer se, após a leitura do livro, deve-se ou não ir ao dentista.

Seu primeiro livro causou pânico para grande parte da população, inclusive uma enorme revolta entre os dentistas e os órgãos regulamentadores da classe. Soube de um processo ético que foi movido contra você. Como você interpreta essa reação das pessoas, sendo que para muitas você está tentando convencer o seu leitor a não ir ao dentista?
Aprendemos muitas coisas na escola. Aprendemos muitas coisas em nosso trabalho, em nossa profissão. Muitas pessoas nos ensinaram tantas coisas, da mesma maneira que ensinamos tantas outras a tantos outros. Se quer aprender sobre algum assunto específico, compre um livro, leia-o, releia-o, faça perguntas para alguém que domine o assunto mais do que você. Tenho certeza que aprenderá tudo o que precisar. Infelizmente não existem livros que ensinam a ter senso de humor, muito menos livros que ensinam a sorrir. Quem ensina isso é a vida, mas nem todos aprendem, talvez por não terem aprendido a viver. Viver é uma forma de interação com nosso mundo e o aprendizado ocorre a partir dessa interação. Quando as pessoas se fecham dentro de sua ignorância, não ocorre essa interação e consequentemente não ocorre o aprendizado. Se o primeiro livro causou pânico para muitas pessoas, para milhares de outras causou muitas gargalhadas e proporcionou um conhecimento sobre odontologia que não seria adquirido de outra forma. Sua percepção e entendimento de um tratamento odontológico mudaram, e mudou, para melhor, a forma de enxegar um consultório dentário e interagir com o profissional que lá trabalha. Para os insatisfeitos, recomendo procurarem na livraria mais próxima o título "Como ter senso de humor em 10 lições". Não irão ainda aprender, muito menos encontrarem esse livro, mas só pelo fato de refletirem sobre isso, já terão dado o primeiro passo.
Fale-nos alguma coisa sobre seu livro. Até que ponto o livro é didático e até que ponto ele parte para o lado humorístico ou até mesmo sarcástico da leitura? Como se mesclam esses dois aspectos no decorrer do seu texto?
Bem, eu diria que o livro procura transmitir o máximo de informação da forma menos sonolenta possível. Certos temas não colaboram com uma escrita tradicional para serem explicados, principalmente quando o público para o qual se destina o texto é leigo, sem familiaridade com o assunto. Se for adotado esse caminho, o resultado é o desinteresse e logo após, o sono... Lembro-me que um dos críticos de meu primeiro livro disse ter lido todo o livro de uma só vez, num único gole. Achei isso extraordinário! Sinal de que o livro conseguiu prender sua atenção e despertar seu interesse de modo que ele não conseguiu interromper sua leitura, lendo-o incessantemente até chegar ao final. Pior quando começamos a ler um livro e, depois de algumas páginas lidas, entre um bocejo e outro, dobramos para dentro o canto superior da página onde paramos, guardamos o livro na gaveta e nunca mais lembramos que ele existe. Quando se deseja transmitir uma informação, há de se analisar o melhor meio para que isso seja feito de uma forma eficiente. E os meios não convencionais, os meios polêmicos e aqueles que fogem de nosso tradicionalismo habitual são os melhores, certamente. Existe uma passagem no livro onde falo do flúor adicionado em nossa água de abastecimento, com o qual temos contato diariamente, e da sua nocividade para nossa saúde. Dentro dessa linha não tradicional adotada pelo livro, coloca os dentistas no banco dos réus, por serem os maiores disseminadores dessa cultura, que infelizmente ainda encontra muitos adeptos por aí afora.

(Extraído dos originais do livro)
Faça o teste com o dentista

Você é uma pessoa teimosa, não é? Ainda não está acreditando totalmente que não deve mesmo ir ao dentista, não é mesmo? Não se preocupe, as pessoas inteligentes geralmente têm uma opinião formada a respeito das coisas em geral e não é fácil modificar essa opinião. Sei que ainda resta um pouquinho para modificar a sua, então aí vai um teste para você fazer com seu dentista e se convencer que ele não sabe lá muito bem o que fala e que não será um bom negócio você ir a esse dentista, digo, a nenhum dentista.

Antes é bom você saber algumas verdades sobre o flúor, aquele mesmo flúor que os dentistas tanto amam e recomendam. Já está comprovado atualmente que o flúor é associado à depressão. Isso mesmo! Pessoas que têm crises de depressão ou mesmo aquelas que estão constantemente deprimidas, às vezes até tomando continuamente medicamentos antidepressivos, possuem em seu organismo uma quantidade maior de flúor do que deveriam. Não precisa nem ser uma quantidade excessiva de flúor, mas um ligeiro aumento na quantidade habitual que o organismo está programado a suportar, quando ela extrapola um certo limite, individual e próprio de cada pessoa, já é mais que suficiente para causar quadros de depressão, em variados graus, dependendo da sensibilidade de cada pessoa ao flúor. Várias pessoas que sofriam de depressão tiveram seu quadro melhorado, ou mesmo até curado, quando deixaram de consumir a água fornecida pelas companhias de abastecimento brasileiras, trocando-a pela água mineral, de fontes puras, sem acréscimo de produtos químicos, como o flúor. Por outro lado, além da depressão, não são ainda conhecidos todos os outros efeitos maléficos do flúor quando o mesmo circula no organismo acima de um limite que o corpo possa tolerar. Cabe ressaltar novamente que esse limite é individual e próprio de cada pessoa, não existindo uma quantidade padrão que possa ser considerada excessiva.

E de onde vem esse flúor que tanto mal faz para a saúde? Ele vem principalmente da água de abastecimento, que você toma todos os dias, matando sua sede e também matando a si próprio, pouco a pouco, dia-a-dia. No Brasil, a adição de flúor na água de abastecimento pelas companhias responsáveis é regulamentada por lei, ao contrário de vários países do primeiro mundo, onde a lei proíbe a adição do flúor na água. Isso mesmo, lá fora é proibido! Eles adicionam flúor na água aqui no Brasil unicamente porque acham que esse flúor presente na água, no curtíssimo momento em que a água está passando pela boca quando você a ingere, vai ser absorvido pelos dentes e reduzir as cáries. Outros acham ainda que depois que a água estiver no seu estômago, esse flúor vai ser absorvido pelo seu corpo, vai para a circulação sanguínea, daí para as glândulas produtoras de saliva, depois vai estar presente na saliva e da saliva ele vai ser absorvido pelos dentes. Meu Deus, quanta ignorância... E nem que seja absorvido pelos dentes, seu efeito vai ser tão irrisório como a presença de um grãozinho de areia no oceano, visto que existem outras formas mais eficientes e seguras de fazer esse mesmo flúor entrar em contato com os dentes e assim fortalecê-los.

E tem mais. Durante o cozimento dos alimentos em panelas de alumínio, o uso da água fluoretada faz passar uma quantidade maior de alumínio da panela para o alimento do que quando usada a água não fluoretada. E é sabido atualmente que o excesso de alumínio no organismo é associado ao Mal de Alzheimer. O Mal de Alzheimer ou Doença de Alzheimer tem esse nome porque foi descrito pela primeira vez pelo neurologista alemão Alois Alzheimer. É uma doença que acomete geralmente pessoas acima dos 65 anos e que atualmente não tem cura. O tratamento consiste apenas no controle dos sintomas. A pessoa acometida pela doença pode se situar num dos três estágios de evolução da mesma, que são o estágio leve, o moderado e o grave. Os sintomas são parecidos com o quadro de demência mental e vão desde o esquecimento de eventos recentes e de realizar os cuidados de higiene pessoal até o esquecimento de nome de familiares, dificuldades para falar e realizar atividades rotineiras, perda da noção de tempo e espaço e por fim, perda total da independência. Somente isso já deveria ser suficiente para abolir completamente o flúor da água de abastecimento público, ou pelo menos, não torná-lo obrigatório, impondo-o para a população, sem dar a essa o direito de escolha.

Eu poderia passar esse livro todo falando sobre os malefícios do flúor quando adicionado à água, até gostaria, mas não é essa a intenção. Só cabe ainda dizer resumidamente que o flúor adicionado na água de abastecimento e circulante no organismo interfere no funcionamento enzimático e hidrogênio das cadeias de DNA, diminui a elasticidade dos ossos, inibe o sistema imunológico e por aí vai, mesmo em quantidades pequenas, como a acrescentada na água. Será que um dos caminhos para a melhora dos pacientes com AIDS não seria a remoção do flúor da água de abastecimento?

E tem mais ainda! Ninguém gosta de tomar remédio sem estar precisando, gosta? Ainda mais se o remédio não for especificamente indicado para você por um médico. Da forma que é adicionado na água de abastecimento, o flúor se torna um medicamento homeopático, pois o mesmo é diluído e dinamizado, e exerce seus efeitos no organismo humano. Hoje, na medicina, já é consagrado o poder da homeopatia, inclusive ela é reconhecida e oficializada como especialidade médica. Mas, como sabemos, um remédio homeopático prescrito erradamente pode causar sérios danos para quem o ingere. Para seu conhecimento, uma consulta com um médico homeopata é uma consulta pessoal, detalhada, com vários detalhes e minúcias de cada paciente que o médico procura captar, de forma que o mesmo remédio pode fazer bem a alguns e extremo mal a outros. No nosso caso, estamos sendo obrigados a ingerir diariamente um medicamento, quer queiramos, quer não. Se você conhece algum médico homeopata e se você o julga competente, converse com ele sobre a adição de flúor na água de abastecimento. Todos os renomados autores e palestrantes que realmente entendem de homeopatia condenam essa prática absurda, que nesse país se firma cada vez mais, apenas porque um grupo de dentistas disse que faz bem aos dentes. Que estupidez! Mas aqui, o direito de prescrever medicamentos homeopáticos não é só dos médicos especialistas, mas também dos políticos. Essa é a verdadeira origem desse problema.

Mas deixando de lado os problemas oriundos do Planalto, voltemos ao teste, que você fará com seu dentista. Quando o encontrar, e espero que não seja dentro de seu consultório, pergunte a ele o que ele acha da adição de flúor na água de abastecimento. Geralmente esses dentistas que existem por aí são tarados por causa do flúor e ele vai lhe contar um monte de historinhas tentando te convencer que o flúor na água faz bem. Aí, respondendo ele que faz bem, não hesite em perguntar a ele por que ele acha que a diluição e dinamização do flúor, quando colocado na água de abastecimento, não o tornam um medicamento homeopático. Fique ligado que ele vai tentar te enrolar!

Existem assuntos complicados sobre odontologia que sabemos que somente os dentistas conseguem entender. Você aborda esse tipo de assunto ou se limita a tão somente comentar os fatos mais simples, de mais fácil alcance e entendimento pelo leitor leigo?
Não diga isso! [risos...] Dessa forma você está dizendo que os meus leitores não são pessoas inteligentes. O primeiro passo é entender que se o leitor comprou meu livro, já subentende-se que ele é uma pessoa muito inteligente e...
Eu não disse isso. Apenas quis perguntar se você aborda todo o tipo de assunto ligado à odontologia em seu livro, mesmo aqueles assuntos mais técnicos.
Eu também não disse que você disse isso. Estava brincando, da mesma maneira que brinco durante boa parte no decorrer do livro. E você levou a sério! E da mesma forma acontece de várias pessoas levarem a sério alguma passagem do livro. Mas o mais interessante é que também existem passagens bastante sérias no livro. Então qual delas deve ser considerada uma brincadeira e qual não deve? Exatamente isso que torna o livro instigante, pois quanto mais aguçado seu senso de humor, mais facilmente você saberá distinguir entre o que é um fato real, uma  crítica construtiva ou um fato jocoso, mas nem por isso totalmente inverídico. Existem vários trechos no livro onde comento sobre assuntos relativamente técnicos da odontologia, mas que da maneira que foram abordados se tornam absolutamente de fácil compreensão por parte de qualquer leitor, mesmo daqueles que nunca ouviram falar do assunto.


(Extraído dos originais do livro)
Dentista pintando o 7

Sabe qual é o maior erro cometido pelos dentistas, praticamente todos os dias e tendo como vítimas a grande maioria dos pacientes que eles atendem? É um erro super comum e não existe nenhum dentista na face da Terra que nunca o tenha cometido. Posso garantir que mais de 90% dos dentistas cometem esse erro diariamente e não raro já cometeram esse erro em você, porque sei sim que você também já cometeu o erro de ir ao dentista algumas vezes. Se os dentistas erram, e muito, espero que pelo menos você não cometa novamente o erro de ir ao dentista, ainda mais depois que souber e conseguir identificar em você mesmo esse erro que eles cometem.

Para que você entenda direitinho a maneira que os dentistas erram, vamos falar um pouco sobre cores, seja lá o amarelo, o azul ou qualquer outra que você prefira. Quando falamos de cor devemos ter em mente três palavrinhas mágicas: matiz, croma e valor. Matiz de uma cor é nada mais do que o nome da cor, tal como vermelho ou verde. Por exemplo, o matiz do céu num dia de verão é azul. Croma é o mesmo que saturação, ou seja, a intensidade da cor. Imagine uma tinta de cor amarela, ou melhor dizendo, de matiz amarelo. Se misturarmos a essa tinta um pouco mais de pigmento amarelo, a saturação, o croma, vai aumentar, ela vai ficar mais forte, mais intensa. Se, por outro lado, diluirmos essa tinta, acrescentando água a sua mistura, o croma desse amarelo vai diminuir, o amarelo vai ficar mais fraco, menos intenso. É o mesmo que adicionarmos água a um cálice de vinho tinto. O matiz vai continuar sendo vermelho, mas o croma vai diminuir. Sendo assim, o croma nos faz distinguir os tons fortes dos tons mais fracos. Por último, valor é o mesmo que brilho da cor, é a claridade da cor, o grau luminoso que ela possui, que nos faz distinguir as cores mais claras das mais escuras. É o que você percebe quando liga sua TV e altera o brilho da imagem. Isso tudo é meio complicado de entender, mas a título de curiosidade, quem formulou esses conceitos não era dentista não, mas sim um tal de Albert Munsell, que era pintor, e esse sistema de decomposição das cores em matiz, croma e valor é chamado de Sistema Munsell.

A grande maioria dos dentistas quando, por exemplo, vão escolher as cores que utilizarão numa restauração a ser realizada com resina composta, que já lhe foi apresentada no volume I desse livro, usa uma escala de cores chamada de Escala Vita. Nessa escala, que ao todo possui 16 cores, existem quatro matizes e diferentes cromas para cada matiz. Os quatro matizes presentes na escala Vita são o marron, simbolizado na escala pela letra A, o matiz amarelo com um pouco de marron, simbolizado pela letra B, o matiz cinza com um pouco de marron que é simbolizado pela letra C e por fim o matiz rosa-avermelhado com um pouco de marron, simbolizado pela letra D. O croma nessa escala é representado por um número que vem imediatamente após a letra correspondente ao matiz. Assim temos, por exemplo, as cores A4, B3, C2, D3 e por aí vai. E de acordo com essa escala, percebemos que a cor A4 tem um croma superior à cor A3, que por sua vez é mais forte do que a cor A2. As cores de resina mais comumente utilizadas por todos os dentistas do mundo são as cores A2 e A3. Como a Escala Vita utilizada pelos dentistas não mede valores das cores, essa dimensão da cor somente é conseguida na hora em que o dentista estiver executando o procedimento no paciente, quando ele poderá usar pigmentos, que podem proporcionar os mais variados efeitos numa resina, alterando seu valor. Se parece ser complicado para você, imagine para o dentista, que quando olha por mais de 10 segundos para um mesmo matiz, deixa de perceber os diferentes cromas existentes, quando para ele uma cor A3 passa a ser igual a uma cor A1, fenômeno esse que é chamado de "fadiga visual".

Ufa! Expliquei tudo isso só para você poder entender o tanto de coisas erradas que os dentistas costumam fazer. A maioria já começa de cara errando o matiz e de tabela também erram o croma. Por exemplo, ao invés de escolherem uma cor B3 acabam escolhendo uma A2. Aí nem adianta mais querer consertar que já será tarde. Mesmo naquelas vezes quando acertam o matiz, eles erram na escolha do croma. Costumam muitas vezes usar a cor A2 no lugar da A3. E mesmo ainda que, por um golpe de sorte, escolham a cor correta, numa restauração com resina composta, é fato que a maioria deles não sabe trabalhar os valores das cores, quando acabarão realizando uma restauração mais esbranquiçada ou mais acinzentada. Isso é muito comum de acontecer e considero muito raro, ou mesmo impossível, o fato de existir um dentista que sempre acerte a cor nos trabalhos que realiza. A maioria erra e erra feio, o que torna mais grave o problema. E para complicar um pouco mais o que já é complicado, some-se a tudo isso o fato de um mesmo dente sempre possuir várias cores diferentes. Repare nos seus dentes da frente, se eles ainda não foram destruídos por nenhum dentista, que a parte localizada perto da gengiva tem uma cor diferente da parte localizada mais abaixo, geralmente uma cor mais intensa, com um croma mais elevado ou até mesmo um matiz diferente. Viu?

Geralmente os coitadinhos dos pacientes que vão ao dentista nem percebem as trapalhadas que ele faz em suas bocas. Acham que é daquele jeito mesmo. E quando percebem e reclamam, o dentista já trata logo de inventar uma desculpa, fala que é assim mesmo, joga a culpa no dente desses pacientes que é muito escuro, mente que depois a resina vai mudar de cor, fala que é normal, inventa um monte. Normal uma ova! Uma restauração bem feita é aquela que fica invisível, ou seja, é aquela que é imperceptível aos olhares de uma pessoa comum, que não seja dentista, mesmo quando essa pessoa olha com atenção e de perto. Se você andou indo ao dentista e teve alguns dentes da frente restaurados, faça você mesmo o teste. De frente para um espelho e com uma boa iluminação, que não faça sombras, procure observar bem os seus dentes, suas cores, e você vai descobrir um monte de boseiradas que andaram fazendo na sua boca. Não raro, vai encontrar muitas restaurações sempre mais escuras ou mais claras do que a cor natural de seus dentes. Ah, vai querer trocá-las? Pra que? Mesmo as novas que você porventura fizer, é bom que saiba que elas ainda continuarão muito diferentes da cor de seus dentes e, nessa brincadeira de tirar uma restauração e fazer outra, a cavidade do seu dente só terá aumentado de tamanho. Daqui a pouco você ficará tendo mais buraco do que dente, já pensou?

Essa história de erro na escolha da cor fica mais evidente ainda quando se trata de próteses, ou seja, quando um dente está completamente destruído e se faz necessário a colocação de uma coroa nesse dente, ou ainda no caso de pontes, sejam elas fixas ou removíveis. No caso das coroas, elas costumam vir do laboratório de prótese com uma cor totalmente errada e muitíssimo diferente da cor dos dentes do paciente. Mas nem vou comentar sobre isso porque esse assunto já está se alongando demais e deixo essas infelicidades para os teimosos descobrirem quando forem ao dentista, se é que já não vão descobrir tudo isso daqui a pouquinho quando olharem no espelho e virem a verdadeira aquarela que está a boca deles. Continua querendo ir ao dentista?

Bem, ainda dentro dos assuntos que você aborda em seu livro, você não acha que falando de doenças e da facilidade com que elas podem ser transmitidas, você não estaria dessa forma causando um certo pânico desnecessário na população e consequentemente afastando-a dos consultórios dentários?
Muito pelo contrário. Eu considero a informação sempre bem vinda e reitero que, quando existe o interesse, jamais ela pode ser considerada supérflua. Se estou falando de doenças e da facilidade com que elas podem ser transmitidas, é porque realmente existe a doença em questão e existe a facilidade de transmissão desssa doença. Não vejo porque mentir ou ocultar uma informação desse porte, visto que o seu conhecimento só trará benefícios ao leitor, tornando-o mais observador e precavido. E se estou ou não afastando os leitores dos consultórios dentários, isso fica por conta do discernimento e do senso de humor de cada um. Uma coisa é certa, sem dúvida alguma eu estou afastando-os de todos os dentistas despreparados para atendê-los. Isso é mais do que certo.

(Extraído dos originais do livro)
HBV, servido?

Como você já deve saber, se leu o volume I desse livro, você pode contrair uma infinidade de doenças indo ao dentista. Você também já deve estar sabendo que a maioria dos procedimentos que ele executa na boca de seus pacientes implica em algum tipo de sangramento, como também já foi explicado no volume I, se não me engano no motivo 3, bem no início do livro. E uma dessas graves doenças que você pode contrair indo ao dentista é a Hepatite B, que pode até causar um Câncer no seu fígado.

Se você for perguntar ao dentista se existe o risco de você contrair Hepatite B no consultório dele, é claro que ele vai falar que não! Ele vai negar terminantemente essa possibilidade e ainda vai tentar te convencer a fazer o tratamento com ele. Mas, reflita um pouco: e se ele aceitasse o fato de que realmente existe o risco de você contrair Hepatite B no consultório dele e confirmasse isso, você iria ao dentista? Iria?

Antes de prosseguirmos, vamos aprender o que é Hepatite B. A Hepatite B, também chamada popularmente de Amarelão, é uma inflamação do fígado, causada por um vírus chamado de HBV, que acomete grande parte da população. No dentista, a sua transmissão se dá através de invisíveis resíduos de sangue presentes em instrumentos mal esterilizados. O vírus que causa a Hepatite B é muito resistente, podendo chegar a sobreviver sete dias em qualquer superfície do consultório, especialmente no Explorador, que o dentista usa em quase tudo o que faz na boca de seus pacientes e que gentilmente já se apresentou a você nesse livro.

Os sintomas da Hepatite B podem levar até vários meses para se manifestarem e geralmente abrangem dores de cabeça e no corpo, extremo cansaço sem causa aparente, mal-estar, febre e falta de apetite. Em alguns casos pode ocorrer a Icterícia, que é indicada por uma coloração amarelada na pele (daí o termo Amarelão), e a urina ficar escura, o que facilita o diagnóstico desse tipo de hepatite. Após alguns meses, todos esses sintomas desaparecem e na maioria das pessoas a doença é curada naturalmente, através do sistema de defesa do organismo afetado, que consegue combater e eliminar o vírus do fígado. Em outros casos, o organismo não consegue eliminar totalmente o vírus do fígado, ocasião em que se desenvolve a Hepatite Crônica, que é acusada por exames laboratoriais e que pode, com o passar dos anos, causar Cirrose e/ou Câncer Hepático, devendo ser tratada adequadamente com medicamentos específicos. Pode ocorrer ainda uma forma rara de Hepatite, que é chamada de Fulminante. Nessa forma, o próprio organismo ataca exageradamente as células do fígado que estão infectadas com o vírus e, nessa violenta guerra, acaba destruindo praticamente todo o fígado, causando a morte na grande maioria dos casos.

Concluímos então que o curso que a Hepatite vai seguir depende da intensidade da resposta do organismo frente ao vírus causador, que pode estar disponível a todos os interessados no consultório odontológico mais próximo. E como você verá adiante, o dentista vai confirmar e aceitar esse fato! Só para você ter uma noção de como é fácil contrair esse vírus, saiba que mais de 300 milhões de pessoas no mundo possuem a forma Crônica da Hepatite e são transmissoras do vírus. E todas elas freqüentam regularmente o consultório do dentista. Tá percebendo o perigo?

Mas como o dentista confirmaria que o consultório dele é um meio transmissor de Hepatite B? Não é perguntando pra ele que você vai obter essa confirmação, pois como você já sabe, ele vai negar, negar e negar. Então como? Existem inúmeras formas de se dizer alguma coisa ou transmitir uma mensagem, não necessariamente utilizando palavras. Para que você veja como, vou te contar um golpe que vem sendo aplicado em cima dos dentistas e que tem funcionado muito bem. Uma pessoa, no caso o golpista, marca uma consulta de orçamento com o dentista, que será a vítima do golpe. Comparece direitinho na consulta, senta-se na cadeira do dentista e deixa ele examinar sua boca à vontade. E o dentista pega o Explorador, o espelhinho, olha, examina, anota tudo e no final passa o valor do tratamento para esse paciente. O golpista concorda com o orçamento, diz que vai realizar os trabalhos propostos e já deixa marcado um horário agendando o início do tratamento para alguns dias depois. No dia marcado, esse tal paciente não comparece para iniciar o tratamento. Não adianta a secretária do dentista ligar para ele que ele não vai ser encontrado. Ele some. Tempos depois, esse mesmo paciente retorna ao consultório e pede para falar com o dentista em particular. Nessa conversa, veja só, ele mostra ao dentista alguns exames e um laudo médico que diz que ele é portador do vírus da Hepatite B. Ele fala que está em vias de desenvolver a doença e que isso em muito irá prejudicá-lo em seu trabalho e em sua vida social. O dentista compadece com ele e lamenta muito o fato. Mas... O pior vem agora! Esse paciente apresenta ao dentista um outro laudo médico, anterior ao dia da consulta, onde consta que ele não tinha esse vírus. O dentista acaba ficando pasmo. Se o paciente não tinha o vírus no dia anterior ao da consulta e se depois da consulta ele passou a ter o vírus, então obviamente concluí-se que ele adquiriu o vírus durante a consulta realizada! E não adianta querer negar, os documentos estão todos na frente do dentista e comprovam o fato. Nessa hora, o paciente golpista conta que é profissional da saúde, que conhece bem os procedimentos de biossegurança e começa a mostrar para o dentista onde ele estaria falhando nesse quesito dentro de seu consultório. Realmente esse golpista é instruído, pois conhece mesmo todos os procedimentos de esterilização e desinfecção que devem ser adotados dentro de um consultório dentário, e passa a apontar todas as falhas que observa para o dentista, que não pode contestá-las, pois não está lidando com um mero paciente desinformado com o qual está acostumado a lidar, mas sim com uma pessoa esclarecida. No final das contas, esse paciente diz ao dentista que tem certeza absoluta que pegou Hepatite no seu consultório e propõe um acordo financeiro para não ter que processá-lo. Exige do dentista uma certa quantia em dinheiro dizendo que se o dentista pagar, ele não irá procurar um advogado para processá-lo. E o que acontece nesse momento?? Não se espante, mas o dentista aceita esse acordo e paga para esse golpista a quantia que ele quer em troca do seu silêncio. E se o dentista aceita esse acordo, ele está implicitamente concordando que o seu consultório é um meio de transmissão da Hepatite B, caso contrário ele teria refutado todas as alegações de falha nos procedimentos de biossegurança apontadas pelo golpista e negado pagar a ele a quantia exigida. Se o dentista não fez isso é porque acabou reconhecendo o seu potencial em ser o transmissor da doença, não com palavras, mas com uma atitude que vale mais do que elas.

E pior, esse tipo de golpe tem dado certo em todos os consultórios onde os golpistas o aplicam, ou seja, nenhum dentista está sendo capaz de negar que não transmitiu o vírus da Hepatite. Isso é muito grave! Agora me diga uma coisa: você continua ainda querendo ir ao dentista?

Agora você vai me dizer uma coisa. Tem um capítulo em seu livro intitulado "Um segredo secular", onde você começa um assunto dizendo que existe um segredo guardado a sete chaves pelos dentistas e que somente eles sabem disso. E pelo que li, esse segredo é realmente algo muito sério e tem a ver com mortes de alguns pacientes que alguns dentistas atendem. Você hesita um pouco a contar esse segredo e ao final do livro acaba revelando. O que mais intriga é que, embora eu não duvide de nada, tenho um certo receio em acreditar, porque tudo isso tem uma lógica muito sinistra e perfeitamente racional e sintonizada com o que você revela. Confesso que, talvez pelo tom que você adotou em seu livro, ainda hesito em acreditar na revelação que você fez, embora tudo pareça muito coerente. Você realmente contou esse segredo dos dentistas conscientemente ou foi por impulso, visto que antes você não queria revelá-lo? Quais são as implicações dessa revelação?
Esse é um assunto delicado. Prefiro não comentar sobre isso, se não se importar. Posso reproduzir alguns trechos dessa entrevista em meu site? Se sim, pedirei para o webmaster incluir a passagem do livro onde começo a falar nesse assunto.


(Extraído dos originais do livro)
Um segredo secular

Eu estava no primeiro ano da faculdade e um dia, quando estava saindo da biblioteca, que ficava próxima do prédio onde o quarto ano tinha as aulas, ouvi um grupo de professores falando em adiar a reunião da congregação. Não dei muita atenção ao fato, imaginei que fosse uma reunião, como outra qualquer, dos professores dirigentes da faculdade, mas notei que assim que eles perceberam minha presença trataram imediatamente de mudar de assunto. Voltei para casa e nem mais lembrei-me desse fato.

Quando eu estava cursando o segundo ano de faculdade, cheguei a morar, numa certa época, com dois alunos do quarto ano, num local próximo à faculdade, que chamávamos de Beco. Como já contei, eram uns 10 quartos dispostos num formato de letra T e cada aluno ficava mais sentado no corredor do que dentro do seu quarto propriamente. Era o mês de novembro, uma noite bem quente. Já era tarde, umas quatro e meia da manhã, eu tinha voltado há pouco da casa de uns colegas e estava no corredor conversando com um colega do curso de Farmácia quando os dois colegas do quarto ano entraram rapidamente, sem falar nada, totalmente perturbados e dirigiram-se direto para seus quartos. Notei que havia sangue na camiseta de um deles, mas no dia seguinte ambos se recusaram terminantemente a falar sobre o assunto.

O tempo passou e cheguei ao quarto ano, o último da minha época de estudante de odontologia. Era início do ano e lembro que tive um problema com minha matrícula. Dirigi-me até o prédio da secretaria e pedi para conversar com o diretor. A secretária disse que ele estava em reunião mas, como o meu assunto era rápido, que eu poderia entrar na sala dele. Durante os poucos passos que eu estava dando em direção à sala dele, novamente ouvi falarem da congregação e também ouvi um dos professores falar que não queria que fizessem lavagem cerebral nesse ano. Em seguida ouvi um outro professor retrucar e dizer que era uma coisa necessária. Entrei na sala e logo eles ficaram em silêncio. Assim que me viu, sem me deixar entrar na sala, o diretor se levantou imediatamente e foi ao meu encontro, dizendo que já estava sabendo do meu caso e que ele já havia resolvido tudo. Bem, sem mais nada a falar, agradeci e saí de lá. Minha visita não durou nem vinte segundos, mas se meu problema já estava resolvido, tudo bem. Confesso que fiquei encucado. Que congregação era essa? Lavagem cerebral? Deixei o assunto pra lá e fui embora.

O ano passou. Estávamos no mês de novembro e éramos quase dentistas. Melhor dizendo, éramos sim dentistas. Faltava-nos apenas o reconhecimento oficial. Num certo dia, durante uma aula de Odontologia Legal, entra na sala o diretor da faculdade e convoca todos os alunos do quarto ano para uma reunião importantíssima que ocorreria na quinta-feira da semana seguinte, impreterivelmente as 23:00 horas, numa sala do anexo B da faculdade, que estaria especialmente preparada para essa reunião. Ele frisou a extrema importância dessa reunião e salientou que todos deveriam comparecer trajando roupas brancas e quem não comparecesse não poderia de forma alguma participar da cerimônia de colação de grau, devendo procurar a diretoria posteriormente para a marcação de uma nova reunião. Alguns alunos perguntaram o assunto dessa reunião, mas ele somente ressaltou a extrema importância de todos comparecerem. Outros reclamaram do horário, mas ele disse que depois dessa reunião nós entenderíamos o porquê do horário. O professor que estava ministrando a aula nesse momento, que também era dentista, não se pronunciou. Somente disse que todos deveriam comparecer nessa reunião e evitou quaisquer comentários.

Chegou o tal dia da reunião. Todos nós estávamos apreensivos, sem saber o que aconteceria nesse evento. O que vou contar desse ponto em diante é algo extremamente sério, um assunto até agora totalmente confidencial e guardado em absoluto segredo e sigilo pelos dentistas de todo o mundo. Também sou dentista. Se por um lado eu jamais deveria estar revelando esse segredo, mantido pelos dentistas às escondidas por décadas, por outro lado me revoltou muito a morte da senhora X, que por razões judiciais e de investigação policial eu não posso revelar o nome, motivo pelo qual estou aqui para contar-lhes o mistério que envolve tudo isso. A senhora X era uma velha amiga e não morreu acidentalmente, como logo você vai perceber. Estaria eu, ao revelar o que se lerá nas linhas seguintes, traindo a minha profissão e os meus amigos dentistas? Talvez sim, mas jurei para mim mesmo que não morreria com esse segredo guardado. Não posso prever as conseqüências dessa revelação, mas é chegada a hora do mundo inteiro saber o que é a "Congregação Una dos Dentistas".

Confesso que meu coração está disparado nesse momento. Prestes a revelar esse segredo, não posso mentir que realmente estremeci. Estou muito abalado e confuso. Por um lado, sinto que tenho uma necessidade e um dever de contar tudo, mas por outro lado, por ser eu um dentista e por ter abraçado a causa, não me vejo no direito de quebrar uma tradição que já é secular e vem funcionando durante décadas e décadas. Nesse momento as idéias se confundem em minha cabeça. Não acho justa a morte da senhora X, mas em contrapartida sua morte foi necessária por motivos que, confesso, estou sem coragem de revelar. É um misto de falta de coragem e, ao mesmo tempo, de fidelidade para com os milhares de dentistas espalhados por esse mundo. Poxa, eu sou um deles, não posso traí-los. Mas o que mais me abala é que, embora faça parte de tudo isso, não concordo com as atitudes que eles adotam, com a postura e filosofia que eles seguem. Eu poderia simplesmente me desligar de tudo isso, deixá-los seguirem seu caminho da maneira que quisessem e simplesmente manter silêncio, como muitos dentistas que abandonaram o barco fazem, mas sinto que esse silêncio me corroerá por dentro e eu passarei por uma tortura psicológica sem precedentes por estar guardando comigo um ideal do qual eu não compartilho. Reconheço que estou perdido, não sei o que fazer.

Me desculpem, mas preciso de um tempo para pensar. Comecei a escrever esse motivo certo de que tivesse coragem para revelar esse segredo, mas na hora verdadeira de começar a escrever e revelá-lo, não tive coragem. Difícil expressar o sentimento em palavras, mas está sendo difícil para mim e não sei se algum dia terei essa coragem. Por hora, peço que me perdoem por ter iniciado um assunto e não tê-lo terminado. Sei que é difícil para vocês terem noção da responsabilidade que é guardar um segredo dessa magnitude e mais difícil ainda pra mim, no âmbito emocional, colocar um fim em tudo isso. É como se, durante várias décadas, várias pessoas fossem fazendo um gigantesco castelo de areia, colocando grãozinho por grãozinho, um a um, e de repente alguém chegasse com uma bomba e destruísse tudo. E não são pessoas quaisquer, são dentistas, como eu. E não é um mero castelo de areia, é toda uma filosofia solidamente construída e adotada por toda uma classe de profissionais. Me desculpem, mas vou parar por aqui.

Por hora, fica valendo meu sincero conselho que é para você não ir ao dentista, de forma nenhuma. A senhora X morreu porque foi ao dentista e quem sabe, algum dia, eu lhe conte o motivo de sua morte. Não quero que o mesmo aconteça com você.

Qual passagem de seu livro você considera mais interessante? Qual assunto que mais lhe proporcionou prazer em escrevê-lo?
Como meus amigos sempre brincam comigo, sempre na hora em que vou escrever "baixa o santo"... Mas tem uma parte do livro onde acho que literalmente o santo baixou mesmo em mim. Depois que terminei de escrever e li o que havia escrevido, fiquei pasmado, totalmente sem expressão nem reação. Não acreditei que eu havia escrevido aquilo. Até hoje não acredito, prá falar a verdade. Lembro que estava totalmente entretido enquanto escrevia, fazendo contas e mais contas, e nem percebi o tempo passar. O texto é assombroso e realmente assusta.

(Extraído dos originais do livro)
Não é coincidência!

Vamos falar um pouco de Numerologia, essa ciência que associa os números às palavras e que a partir do resultado numérico obtido interpreta e dá significado a essas palavras e àquilo que elas representam. Faremos a análise numerológica da palavra DENTISTAS e revelaremos o seu significado mais profundo, a essência dessa palavra e de tudo aquilo que ela exprime. Essa breve análise não segue padrões preestabelecidos, mas sim procura de uma forma simples decifrar o segredo que se esconde atrás dessa palavra que, como você verá, esconde muitos mistérios.

O primeiro passo é associar a cada letra um número correspondente. Utilizaremos a tabela abaixo, associando o número 1 à letra A, o número 2 à letra B e assim por diante. Também faremos a associação inversa, associando o número 1 à letra Z, o número 2 à letra Y e assim por diante. Combinaremos ainda as duas associações para chegarmos a um resultado confiável.


A B C D E F G H I J K L M
Associação
direta
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
Associação inversa
26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14

N O P Q R S T U V W X Y Z
Associação
direta
14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26
Associação
inversa
13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1

  D E N T I S T A S  
                    Soma
horizontal
Associação
direta
4 5 14 20 9 19 20 1 19 111
Redução de algarismos 4 5 5 2 9 1 2 1 1 30
Associação
inversa
23 22 13 7 18 8 7 26 8 132
Redução de algarismos 5 4 4 7 9 8 7 8 8 60
Soma
vertical
36 36 36 36 45 36 36 36 36 333


Vamos entender a tabela acima. A linha de "associação direta" mostra os números relacionados com cada letra da palavra DENTISTAS, de acordo com a primeira tabela exposta. A linha logo abaixo, que é a de "redução de algarismos", reduz os números que tenham dois algarismos para números com apenas um algarismo, como acontece ao reduzirmos o número relacionado com a letra N, que é 14, quando teremos 1 + 4 = 5. Ao reduzirmos o número relacionado com a letra S, que é 19, teremos 1 + 9 = 10 e que vai gerar 1 + 0 = 1 numa segunda redução. Para a "associação inversa" seguimos o mesmo raciocínio. A "soma vertical" é a soma de todos os números da tabela, verticalmente, tal como para a letra D, onde teremos 4 + 4 + 23 + 5 = 36. A "soma horizontal" segue o mesmo raciocínio, só que somando os números horizontalmente.

Vamos agora interpretar os resultados. Somando-se verticalmente os números obtidos na soma horizontal, teremos como resultado o número 666. Comprove: 111 + 30 + 132 + 60 + 333 = 666! Conhece esse número?

O que acontece se multiplicarmos o resultado da soma horizontal da associação direta (111) pelo resultado da soma horizontal da redução de algarismos dessa mesma associação (30) e dividirmos o produto encontrado pelo valor obtido pela divisão da soma horizontal da redução de algarismos das associações direta (30) e inversa (60) entre si? Vejamos: 111 x 30 = 3330. Depois temos que 30 / 60 = 0,5, que numa redução implica em 0 + 5 = 5. Dividindo-se 3330 por 5 chegamos no resultado 666! Será coincidência?

Se dividirmos o produto de todos os números da redução de algarismos da associação inversa (5 x 4 x 4 x 7 x 9 x 8 x 7 x 8 x 8 = 18.063.360) pelo valor obtido pelo produto da soma horizontal da associação direta (111) e da soma horizontal da respectiva redução de algarismos (30), teremos o número 5424,43. Vejamos: 18.063.360 / 111 x 30 = 5424,43. Reduzindo esse resultado teremos 5 + 4 + 2 + 4 + 4 + 3 = 22. Multiplicando-se a soma horizontal da associação direta (111) pela soma horizontal da associação inversa (132) e dividindo-se esse produto pelo número 22 encontrado acima, teremos novamente o temível número 666. Veja só: 111 x 132 / 22 = 14652 / 22 = 666. Acho que não é coincidência não!

Vamos trabalhar agora com o produto dos resultados da soma horizontal das associações direta (111), inversa (132) e das somas horizontais das respectivas reduções (30 e 60). Teremos 111 x 132 x 30 x 60 que dará como resultado o valor 26.373.600. Fazendo uma primeira redução desse número teremos o número 27 (2 + 6 + 3 + 7 + 3 + 6 + 0 + 0 = 27) e numa segunda redução teremos o número 9 (2 + 7 = 9). E já pensou se dividirmos esse número acima pelo produto de todos os números da redução de algarismos da associação inversa? Teríamos 26.373.600 / 5 x 4 x 4 x 7 x 9 x 8 x 7 x 8 x 8 = 26.373.600 / 18.063.360 = 1,4600. Reduzindo-se uma vez os algarismos do resultado encontrado, teremos 1 + 4 + 6 + 0 +0 = 11. Agora acompanhe esse raciocínio: multiplicando-se a soma horizontal das associações direta e inversa (111 e 132) entre si e subtraindo-se desse produto o valor obtido pela multiplicação da soma horizontal da associação inversa (132) pelo número 11 encontrado acima, teremos o valor 13.200. Veja: (111 x 132) – (132 x 11) = 14652 – 1452 = 13.200. Isso é cabuloso demais, porque se dividirmos o valor 26.373.600, encontrado acima, pela sua primeira redução (27), multiplicarmos o resultado pela sua segunda redução (9) e dividirmos o valor total encontrado por 13.200, calculado acima, teremos como resultado o número 666. Veja só: 26.373.600 / 27 x 9 = 8.791.200. Depois teremos 8.791.200 / 13.200 = 666. Arrepiante!

Para seu conhecimento, 666 é o número da besta, mencionado na Bíblia, no livro do Apocalipse, capítulo 13, versículo 18. É um número demoníaco, satânico. É um número que traz azar, infelicidade. É o número do inferno. Não é à toa e nem por acaso que a combinação de letras da palavra "dentistas" gerou esse número. Não existem tantas coincidências assim. Dentistas são a encarnação do mal, a personificação de Lúcifer. Fique sempre longe deles.

Dr. Eduardo Esber, nós da cidade de ** e do Jornal ** agradecemos muito sua atenção e deixamos registrado nosso muito obrigado por disponibilizar trechos de seu livro em nossa edição de aniversário. Com certeza contribuirá para a valorização de nosso material e para o enriquecimento cultural de nossos leitores. Agradecemos sua visita e conte conosco sempre que precisar [...]
A satisfação é toda minha em ter estado com vocês e sou eu quem agradece por toda a atenção e carinho com o qual fui recebido. As perguntas realizadas pelos colegas dentistas contribuíram para um maior esclarecimento do assunto e em muito ajudaram na compreensão da importância dos cuidados que devemos ter com nossa saúde. Meu muito obrigado a todos.

(Extraído dos originais do livro)
Tive que mentir...

Isso aconteceu comigo! Vou contar esse fato, mas na expectativa que a Dona Selma não me leve a mal, pois ela vai descobrir que eu menti para ela. Por outro lado, expondo esse fato aqui, será uma maneira de eu explicar a ela a razão de eu ter mentido e também uma maneira de dizer a ela a verdade, coisa que eu não poderia ter dito nas circunstâncias em que ela me procurou, e você vai entender porquê.

Já devo ter mencionado isso antes, mas é fato que eu moro praticamente na roça, numa cidadezinha do interior enfiada no meio de algumas montanhas, onde as pessoas ainda adoram fofocar sobre a vida alheia e te reconhecem pelo carro que possui. Normal, coisas de cidade pequena mesmo. Gosto daqui, principalmente do sossego e do modo simples de se viver, mas de vez em quando passo algumas temporadas longe, pois o modo de pensar das pessoas do interior é deveras restrito e isso pode acabar contagiando. É preciso combater isso, procurando regularmente manter os horizontes abertos, deixando de enxergar o mundo com tapa-olhos, como a maioria das pessoas daqui o fazem.

Conheço a Dona Selma faz vários anos. Ela diz que me pegou no colo quando era menino e que me viu crescer. Ela diz até que se lembra do dia em que me formei e que guarda até hoje meu convite de formatura. Ela tem lá seus 60 anos, um sorriso bonito, expressivo, com dentes e gengivas aparentemente saudáveis. Digo aparentemente porque jamais cheguei a fazer um exame em sua boca. Ela tem seu dentista, com o qual se trata há vários anos. E dentista é uma coisa que não falta por aqui. Em qualquer esquina que você pare, você logo se depara com dois, três até quatro deles. Eles estão por aqui aos montes, numa quantidade enorme, da mesma forma em que os furinhos estão dentro do seu queijo (nossa Eduardo, que podre... Que comparação mais cafona. Apaga isso!). Não vou apagar não. Todo mundo têm o seu lado cafona sim e de vez em quando é bom soltar a cafonice. Ainda mais eu que moro na roça, poxa, tenho todo o direito! Mas voltando ao assunto dos dentistas daqui, vale dizer que relaciono-me muito bem com a maioria deles. Sou amigo de um monte, sempre nos encontramos, trocamos algumas idéias e, além de odontologia, falamos também sobre mulheres e assuntos diversos, afinal de contas, nem só de odontologia vivem os dentistas. Gosto muito do Dr. X, cujo nome não vou revelar para não comprometê-lo. Somos amigos de longa data e sempre estamos conversando, nas esquinas da vida ou num boteco qualquer, desses que existem às dúzias por aqui. Pela amizade que tenho com esse Dr. X, sei que ele não vai se importar que eu conte o que vou relatar a seguir. Se o conheço bem, ele vai é dar umas boas risadas.

Por coincidência, o Dr. X é o dentista da Dona Selma. Num belo dia, pela manhã, logo no início do expediente, ela aparece no meu consultório dizendo que precisa falar comigo. Ela contou que recentemente havia colocado com o seu dentista, o Dr. X, um "pivô" em seu dente, mas que estava sentindo um desconforto ao mastigar e um mau hálito persistente, coisa que ela não tinha antes. Ela pediu para que eu desse uma examinada no referido dente e dissesse pra ela se estava tudo em ordem, pois ela achava que alguma coisa estava errada e, como confiava muito em mim, decidiu pedir minha opinião. Muito bem! Ela sentou-se na cadeira de atendimentos e lá fui eu examinar seu dente. Na verdade, o que ela chamava de "pivô" era uma coroa total que o Dr. X havia cimentado nela. Passei a examinar essa coroa. Cara, era um dos serviços mais malfeitos que eu já havia visto na minha vida. Pra começar, era de metal, todinha de metal. Hoje em dia não se usa mais metal em coroas. Todas elas são feitas com material estético, da cor dos dentes. Raríssimos casos onde ainda se deve usar metal. Não entendi essa do Dr. X, pois não era o caso da Dona Selma. A escultura da coroa estava deplorável, aliás, não havia escultura nenhuma. Ela estava praticamente plana nos locais onde deveriam ser esculpidas as suas cúspides e vertentes. Parecia mais uma mesa mal feita, faltando apenas, para completar o conjunto, as cadeiras de cada lado. Olhando a adaptação, eu desanimei. Cheguei até a duvidar que tivesse sido mesmo o Dr. X que havia feito essa coroa. Na verdade não havia adaptação nenhuma. Havia enormes espaços, verdadeiras fendas entre a coroa e o dente, quando a coroa deveria estar rigorosamente adaptada ao dente, selada, com um vedamento que não permitisse nem a existência do mínimo espaço entre ambos, por mais minúsculo que pudesse ser. E essa era a razão da Dona Selma estar sentindo o mau hálito que ela reportou, pois nessas fendas acumulavam-se restos alimentares e bactérias, impossíveis de serem removidos pela escovação, que putrefavam e causavam esse odor horrível que ela sentia. Ela e as pessoas que estivessem ao seu redor, claro. Isso sem contar na cárie que iria acometer o dente, por baixo dessa coroa. E mais grave ainda o fato que essa cárie iria só aumentar com o passar do tempo, pois como ela havia feito o canal do dente, a cárie seria indolor e, na ausência de dor, ela não saberia que algo estaria errado com seu dente, quando a cárie iria aumentando cada vez mais, levando inevitavelmente à perda desse dente. Resumindo, era um serviço hiper malfeito, algo abominável, nojento.

"_ E aí doutor, o serviço que ele fez está bom?". O que poderia eu responder numa hora dessas? Se eu falasse tudo o que deveria falar, ela já iria naquele mesmo momento para o consultório do meu amigo Dr. X dizendo que o Dr. Eduardo disse que o serviço que ele fez está uma porcaria, iria brigar com ele, iria sair do consultório dele desolada, nervosa e mais hipertensa ainda do que já é. Se ela tivesse alguma complicação eu iria me sentir culpado. E o Dr. X iria ligar no meu consultório chateado, dizendo que eu não deveria ter falado o que eu falei, que a paciente é dele e não minha, que ele sabe o que faz nos pacientes que ele tem, que eu não devo me intrometer no trabalho dos outros, que eu estou querendo "roubar" a paciente dele, que isso é antiético e mais um monte de coisas desagradáveis. Eu teria de responder chamando-o de incompetente, de imprudente, de negligente, iria dizer que o serviço que ele fez na Dona Selma não se faz nem num porco! E estaria armado um terrível circo de inimizades, com cada qual falando mal do outro...

"_ A coroa está boa Dona Selma, não precisa se preocupar não. Dr. X é um dentista muito competente." - Foi a única coisa que pude responder naquela hora para a Dona Selma. Até passei uma solução de bochecho para ela fazer, para minimizar esse mau hálito que ela tinha. E ela saiu do meu consultório aliviada e mais aliviado ainda fiquei eu, por ter evitado tanta confusão que poderia ter sobrevido a esse episódio.

Para o Dr. X eu diria para não se importar com isso que escrevi. Sou uma pessoa crítica mesmo, coisa de virginiano. Ele sabe que tenho razão e não haverá de achar ruim. Para a Dona Selma eu pediria que entendesse o motivo pelo qual tive que mentir para ela. Acho que se ela estivesse no meu lugar, ela faria a mesma coisa. E para você, eu diria para nunca mais ir ao dentista! São todos uns mascarados, que acobertam-se entre si, que somente buscam a conveniência em suas atitudes. Não dá para confiar não...

 

capa da edição anterior

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